O tema da vida a bordo de embarcações, especialmente de veleiros, Viver a bordo de veleiro tem ganhado destaque nos últimos anos, especialmente após a pandemia. A palestra apresentada por Rogério, um professor e velejador experiente, trouxe à tona a sua trajetória e as motivações que o levaram a optar por essa forma de viver. Neste artigo, exploraremos as nuances dessa escolha, as vantagens e desafios de morar a bordo, e como o mar se tornou um verdadeiro norte na vida de muitos.
Assista a palestra no video abaixo:
Você já se pegou olhando para o mar e desejando que aquele horizonte fosse a janela da sua sala? Para muitos, viver a bordo de uma embarcação parece um sonho distante ou algo reservado a “fugitivos da rotina”, mas a realidade está mudando. No recente painel da NÁUTICA Talks, o professor e velejador Rogério compartilhou sua jornada de 18 anos até transformar o veleiro Lual em sua residência oficial.
Se você pensa em seguir esse caminho, aqui está o que você precisa saber sobre o movimento liveaboarding no Brasil.
A Realidade do Morar a Bordo no Brasil
Embora o Brasil tenha uma frota de lazer estimada em 700 mil embarcações, apenas uma fração mínima é usada como moradia fixa [02:53]. Para comparação, enquanto no Reino Unido há cerca de 50 mil pessoas vivendo em barcos, no Brasil o número ainda é incerto, misturado às estatísticas de quem vive em veículos adaptados [05:18].
A boa notícia? O interesse explodiu após a pandemia. Com a popularização do trabalho remoto e de tecnologias como a Starlink, o “escritório com vista para o mar” deixou de ser metáfora para virar realidade.
A trajetória de um velejador
Rogério começou sua jornada no mundo da vela há mais de 20 anos, sendo o primeiro em sua família a se aventurar nesse universo. Desde o início, ele nutria o sonho de morar a bordo de um veleiro, uma aspiração que se intensificou ao longo dos anos. Através de suas experiências, ele percebeu que a vida a bordo não era apenas uma questão de liberdade, mas também uma forma de se conectar com a natureza e com uma comunidade vibrante de pessoas que compartilham interesses semelhantes.
A popularização da vida a bordo
Com o advento da pandemia, a ideia de viver a bordo de um veleiro se tornou mais atraente para muitas pessoas. O canal no YouTube #sal, criado por Adriano, ajudou a popularizar essa forma de vida, mostrando que morar em um barco não é apenas uma alternativa viável, mas também uma experiência enriquecedora. Rogério destacou que, embora não existam dados precisos sobre quantas pessoas vivem a bordo no Brasil, a tendência é de que esse número esteja crescendo, refletindo uma mudança cultural em relação à vida náutica.
Por que trocar a terra firme pelo balanço do mar?
As motivações variam, mas três pilares sustentam essa escolha:
- Custo de Vida: Em muitos casos, manter um barco pode ser mais barato do que o custo imobiliário em grandes centros urbanos [07:41].
- Simplicidade e Beleza: O “quintal” passa a ser o oceano. A rotina de acordar, fazer um café e subir para o convés para ver o nascer do sol é um dos maiores atrativos [10:46].
- Senso de Comunidade: Diferente do isolamento dos apartamentos em cidades grandes, as marinas e poitas criam vilas flutuantes onde a ajuda mútua é a regra [33:51].
O Passo a Passo para a Transição
Rogério destaca pontos cruciais para quem deseja iniciar:
- Defina o Propósito: É por economia, por sonho ou por necessidade de mudança? [25:04]
- Escolha a Embarcação Certa: Não precisa ser um gigante. Barcos a partir de 26-28 pés já podem ser habitáveis, desde que bem planejados em termos de autonomia de água e energia [04:23].
- A Estrutura de Apoio: No Brasil, as opções variam entre morar em uma marina (com luz e água no píer), na poita (mais privacidade, mas exige bote para ir à terra) ou na âncora (custo zero, mas exige maior autossuficiência) [30:21].
O custo de viver a bordo
Um dos pontos abordados por Rogério foi a questão financeira. Viver a bordo pode ser mais econômico do que morar em terra, especialmente em grandes cidades onde os custos de habitação são elevados. A vida a bordo permite uma redução significativa em despesas, além de proporcionar uma experiência de vida mais simples e conectada à natureza. No entanto, é importante considerar que a escolha de viver em um barco requer planejamento e adaptação a um novo estilo de vida.
Desafios e recompensas da vida a bordo
Embora a vida a bordo ofereça inúmeras vantagens, também apresenta desafios. Rogério compartilhou suas experiências, que incluem desde a manutenção do barco até a adaptação a um espaço reduzido. A convivência em um ambiente pequeno pode ser desafiadora, mas também cria laços fortes entre os moradores. A comunidade náutica, como Rogério mencionou, é um aspecto positivo dessa escolha, proporcionando um senso de pertencimento e apoio mútuo entre os que vivem a bordo.
O processo de transformação e adaptação
Rogério detalhou sua jornada de transformação, que incluiu a reforma de seu próprio veleiro, o Lual. Esse processo não apenas o preparou para viver a bordo, mas também lhe proporcionou um profundo conhecimento sobre a embarcação. A experiência de reformar um barco é um reflexo do compromisso e da dedicação necessários para essa nova vida. A satisfação de ver o barco se tornar um lar é uma recompensa que muitos velejadores compartilham.
O futuro da vida a bordo
O futuro da vida a bordo no Brasil parece promissor, com um crescente interesse por parte de pessoas que buscam alternativas ao estilo de vida convencional. Rogério enfatizou a importância de se fazer perguntas fundamentais antes de embarcar nessa jornada, como as motivações pessoais e as condições necessárias para viver a bordo. A vida a bordo não é apenas uma mudança de endereço, mas uma transformação completa na forma de viver e se relacionar com o mundo.
O Desafio da Manutenção
Morar a bordo exige que você se torne um pouco de tudo: eletricista, encanador e mecânico. O palestrante relata que a reforma de um barco abandonado passa por fases de euforia, questionamento da sanidade e, finalmente, a satisfação de conhecer cada parafuso da sua casa [21:40].
Conclusão
O mar como norte representa não apenas uma escolha de estilo de vida, mas uma busca por liberdade, comunidade e conexão com a natureza. A palestra de Rogério na NÁUTICA Talks ilustra como a vida a bordo pode ser uma experiência enriquecedora, repleta de desafios e recompensas. Para aqueles que sonham em viver essa realidade, o importante é planejar, se preparar e, acima de tudo, seguir o chamado do mar.
Viver a bordo não é apenas sobre navegar; é sobre mudar a relação com o tempo e com o espaço. Se você sente o chamado do mar, o planejamento é seu melhor aliado. Como diz Rogério: “O projeto pode demorar, mas o mar está sempre lá esperando”.
Este artigo foi inspirado na palestra de Rogério no NÁUTICA Talks. Assista ao vídeo completo aqui: O mar como norte: do trabalho em terra à vida a bordo
![]()




